terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Esse dia ainda chegará...

Há de chegar um dia... um dia em que todos seremos iguais potencialmente. Onde não haverá minorias nem maiorias, tampouco preconceitos loucos e absurdos. Um dia em que a essência humana será respeitada por si só e não por razões antropologicamente construídas...
A própria antropologia, em toda sua magnitude nos diz que nenhuma cultura é inferior ou superior, apenas diferentes uma da outra... Então porque toda a diferença individual é contemplada como obscura e exclusiva? Talvez a resposta esteja na forma de como encaramos o mundo e de que ângulo o observamos...
A mesma antropologia nos diz que ao apenas observar uma cultura, já a modificamos por meio de opiniões e teorias, o que comprova que somos os responsáveis pela forma com que as diferenças são tratadas... Então construímos os preconceitos?  Basicamente sim, assim como nossa cultura e forma de pensar. Então: não se prenda ao senso comum e nem acredite em tudo o que te falam... Pense: talvez o céu não seja realmente azul só porque o vemos dessa forma...
Isso me fez lembra de uma aula de filosofia com o meu ex professor judeu :Mestre Benjamin. Antes de contar a experiência, quero abrir um parênteses para o caso desse texto cair de alguma forma em suas mãos professor: (Me desculpe por cortar seus cachinhos... Ainda não entendia que nada tinha a ver com péssimo senso de moda, I’m realy sorry!”) então vamos ao fato: não consigo esquecer, como numa tarde de primavera tal mestre me fez uma pergunta em sala de aula:
             - Wilsent, pau de nasce torto morre torto?
Parei, pensei por uns 10 segundos e sem exitar respondi:
             - Depende do pau professor! O bambu por exemplo, é bem flexível, não é o caso da macanaíba, que precisa ser esculpida.
A sala inteira murmurou aos risos, achando que de alguma forma eu estava banalizando a aula, mas não, eu sabia exatamente do que estava falando, e sabia também que os “paus” eram apenas metáforas. Você que lê agora é um “pau”, sua vida é um “pau”; se é bambu ou macanaíba só depende de você decidir...
Birutices filosóficas e antropológicas a parte, esquecendo por um tempo também que tudo na vida é feito de metáforas indiretas, eu acredito em duas hipóteses distintas acerca do futuro da humanidade, se é que podemos chamar assim o meio em que vivemos:
A 1ª é de que há de chegar um dia destituído de preconceitos... Quando os seres humanos deixarem de aceitar conceitos estabelecidos e assumirem uma opinião própria, sendo assim iguais potencialmente... Potencialmente por pensarem com suas próprias mentes e não pela mente da mídia ou pela mente da elite, que tudo faz pelo consumismo inconsciente... Quando todo ser humano na Terra começar a ter suas próprias opiniões e defendê-las, não haverá maiorias nem minorias pois opiniões individuais são distintas ao ponto de não poderem ser classificadas em grupos... Haverá individualidade somada com união ao invés de exclusão... Dessa forma a essência do homem como ser cognoscente será valorizada uma vez que todos terão diferentes opiniões, apesar de serem iguais potencialmente... Quando esse dia chegar... entenderemos o porque do nome de nossa espécie: Homo sapiens sapiens...
A 2ª hipótese talvez possa soar comicamente, mas juro que não é minha intenção e infelizmente é a que mais o mundo se aproxima; é a de que há de chegar um dia em que aceitaremos tanto a opinião dos outros, principalmente dos centros de comunicação manipuladores e da elite altamente capitalizada, que viveremos como gorilas, em jaulas de tijolos, tentando caminhar eretos e aprender um dialeto “padrão” que seja utilizado pela “macacada” privilegiada a fim de conseguirmos uma gruta maior para viver ou um chocalho melhor para brincar... Nessa forma de vida, algumas famílias gorilas se sentirão superiores que outras, só porque tem menos pêlos, ou porque seus macaquinhos estão aprendendo um dialeto padrão a mais em um bananal por aí, ou porque a senhora gorila encontrou na mata umas pedras preciosas que possam ser carregadas como badulaques no pescoço, ou porque o senhor gorila comprou uma gruta na praia pra dormirem de vez em quando... O que tais famílias gorilas não percebem, é que estão abandonando sua espécie de Homo sapiens sapiens e regredindo cada vez mais para simples primatas...
Eu sinceramente torço e espero pela primeira hipótese, mas para isso, teremos que lutar muito por capital intelectual libertário...
Termino esse texto deixando três perguntas pra quem me lê, apenas como objeto de reflexão e exercício para que minha 2ª hipótese caia por terra:
1ª) O céu é realmente azul? (não responda sem pensar)
2ª) Que tipo de “pau” você é? Que tipo de “pau” sua vida é? (lembre-se que não importa a resposta sempre há como moldá-los, flexionando-os ou esculpindo-os, uns dão mais trabalho, outros menos...)
3ª) Você é um primata ou está a caminho de ser um? (seja sincero consigo mesmo)
Responda a essas perguntas, anote suas respostas, trace um objetivo...
Porque há de chegar um dia... Com certeza há..."

Dannielly Wilsent

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