Recordo perfeitamente daquela noite em que atravessei a avenida mais longa desse mundo e dei de frente comigo mesmo. Frio, distante, decicido a não voltar, nunca mais olhar para trás, essa era minha vontade, ir até o fim do mundo e jogar os braços com um abraço de eterna felicidade.
Seu vestido negro, longo, de renda e cetim molhado levemente pelo orvalho da quase manhã roçava em suas pernas, tão rigidas tão determinadas a amar até o fim de nossos dias. Seu olhar já não era o mesmo, seu brilho era cortante, sem vacilos, sem travas, só objetivo, absoluto nas decisões tomadas apertando minha mão, machucando meus sentidos e mostrando com força que o mundo não era mais rosa e as diversas nuvens escuras como esculturas falando de amores imperfeitos, doentes em sua obssessão e santos quando platônicos, agora não mais assim, tudo pra valer e em teu peito nunca mais ceder a vontade de ninguém.
Amar por querer amar e ferir quem a sua frente tentar impedir.
Querida é necessária tanta dureza nas atitudes e palavras ? A cesta de flores nunca esqueci em casa com seu chapéu colorido, em seus cabelos só o adorno de onix que deu certa vez em que estava tão triste. Se o seguir, nunca mais verei as tiaras de diamante, tudo será assim, determinado como rochas, pedras adornarão seus cabelos e em seu peito o amor será pontuado por música lirica e nada mais será como antes.
Recordo perfeitamente de ter pedido um tempo, do beijo que trocamos entre soluços de um quem sabe até breve. Aqui agora estou, lembrando desse gelado beijo, da sua boca molhada, entusiasmada.
Atravesse a avenida agora, aquela mais longa desse mundo e venha me encontrar, quero vesti-la de azul, quero vê-la com a péle brilhante e te dar o anel de esmeraldas que esculpí para enfeitar sua linda mão que sempre me acariciou com verdadeiro afeto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário