domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parte 2

2005 pode se dizer que foi o ano mais gostoso só que ao mesmo tempo depois me trouxe graves conseqüências. Antes mesmo de o ano letivo começar quase deixei de passar o carnaval na praia de tanta ansiedade que tinha pro curso. Quando cheguei lá 20 dias após as aulas terem começado, me senti um pouco sem ambiente, mas isso aos poucos foi sendo superado. Apesar de me decepcionar muito com algumas coisas, a faculdade nesses quatro anos me ensinou muitas coisas, principalmente em ser mais humano.
Sinto saudades dos amigos que deixei por ali. João Vitor, Jorge, Danilo... belos os tempos em que íamos pra balada juntos, os jantares que fazíamos, as peripécias pelos corredores, os sorvetes tomados na cantina... E realmente esse quarteto fantástico já deu muito que falar. Saudades das piadas em sala do amigo Rogério Mian, saudades das discussões sadias com a professora Ayne Salviano, saudades das conversas com o Rafa... Bem como outros vários momentos legais que passei por lá.
Esse lugar me proporcionou também um amor para recordar, tudo bem que hoje não exista mais nada, mas o que passei poderia ser feito até um filme. Conheci Calula logo quando cheguei. Ela era 14 anos mais velha do que eu. Moça da alta sociedade araçatubense, mas não gostava nem um pouco da vida burguesa que levava. Tinha passado por um casamento frustrado que acabou resultando numa depressão profunda. Seu sonho era fazer teatro, mas a família não deixou realizar seu sonho.Escrevia muito bem e estava bloqueada na época porque o ex-marido havia destruído seus mais de 800 poemas. Era gozado aquilo, pois vivíamos em mundos diferentes e parecia que nos conhecíamos a muito tempo atrás. Cada dia que passava nos aproximava ainda mais e como somos feitos de carne e osso, um belo dia depois de um lanche na casa dela rolou um algo a mais. No começo ficávamos apenas nos encontros escondidos por privacidade apenas, mas chego uma época que não dava mais para esconder. Estacamos sentados num banco bem nos fundos da faculdade quando nos deparamos com o pessoal da sala dizendo “ai nossa como o amor é lindo”. O tempo foi passando, nos apegávamos cada vez mais e aquilo contagiava a todos. Nunca tinha sentido isso por alguém, até ali minha vida era apenas de festas e aquela coisa... “Sair, beijar na boca, ir para a cama e ser feliz”... Quantas e quantas vezes não matei aula para namorar com ela, fazia seus trabalhos de sala (os que ficavam melhor sempre colocava o nome dela), andávamos e fazíamos amor na chuva, ela cantava as minhas músicas e eu decorei quase todas as do Chico Buarque, ela me fazia dormir com uma música do Toquinho que dizia mais ou menos assim. “Uma Pirueta, duas piruetas, bravo, bravo”, pegava ela no colo e saia correndo em todas as salas, comíamos pizza altas horas da madrugada, ela me acordava para mostrar algum poema feito naquela hora, mandava flores toda segunda simplesmente por ser uma segunda-feira, trufas e mais trufas dadas no intervalo, recados e mais recados no seu caderno... E por ai vai. Ambas as famílias eram contra esse relacionamento. A minha na época viva fazendo inferno na minha vida e a dela porque era um absurdo alguém namorar um cara da minha idade. Levamos até onde conseguimos e essa pressão nos levou as muitas brigas fazendo com que Calula não suportasse o peso da família nas costas. Terminamos de uma maneira não muito legal, mas apesar de tudo o carinho entre ambos falava mais alto. Durante certo tempo vivi de recaídas com ela e também era muito estranho, pois sempre aumentavam as discussões e sempre acabávamos resolvendo em quatro paredes. Até que mais ou menos na metade de 2006 mais uma vez sofri outra mudança brusca.
Essa relação estava mais do que terminada e me afundava cada vez mais na depressão. Em casa era um inferno astral. Voltei à vida boemia, pois achava que era a única forma de curar as minhas tristezas, mas quando deitava não conseguia dormir. Chegava em casa tarde e logo cedo já levantava para treinar na academia. Durmia no máximo 5 horas por dia. Várias gurias passaram em meus braços. Na faculdade era aquele inferno com Calula, muita provocação e sempre acabava indo pra cama com ela. Isso me corroia por dentro. Até que um belo dia...

Um comentário:

  1. Eh...as aventuras ajudam à crescer...e fazem descobrir o melhor caminho para a felicidade.Muito sucesso...vc merece!!!

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