domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parte 3

Já era tarde da noite e como sempre ouvia minha música até de deitar e conversava com algumas pessoas no MSN. Cássio (o irmão que não tenho) me disse que queria me apresentar uma pessoa e logo já pensei deve ser mais uma daquelas gurias interessadas em coisas do tipo “você sair comigo”. De cabeça quente, não por conta disso, mas por outros motivos, nem perguntei quem seria a pessoa e disse sim sem bobear. Cássio fazia parte de uma comunidade no orkut chamada Amantes de Lua e sempre me dizia que conheceu pessoas de várias partes. Essa pessoa que ele tanto queria que eu conhecesse mudou a minha vida e infelizmente não está mais entre nós. Essa turma da comunidade era apelidada carinhosamente por eles de “hospício” por ser bem animado e conversas serem bem polêmicas.
Celina era a pessoa que se apresentava ali no momento. Depois da famosa apresentação de seus nomes ela logo me disse que morava em Atenas e se dizia psiquiatra. “Por trás da minha tela do computador ri muito e pensei”.” ela deve me achar uma besta pra contar uma mentira que mora lá e ainda uma hora dessas da noite né”. Achei que fosse alguma gozação do Cássio ou qualquer outro amigo meu e fiz 3 perguntas o tanto quanto”babacas” sobre Atenas.. ela respondeu de maneira suficiente e me convenceu... Era incrível a paz que sentia com presença dela, até a dor do meu joelho direito que acabara de machucar nem parecia existir...esse 9 de junho de 2006 deixou muitas saudades mesmo. Logo de cara me ajudou a fazer um trabalho de Antropologia, aliás, já estava pronto e ela apenas corrigiu algumas coisas. Como podia alguém que você em tão pouco tempo te ajudar em trabalhos de faculdade e te passar vários sites de pesquisas? Se bem me lembro ela precisou sair as pressas devido a uma chamada do hospital e me disse que voltaria no dia seguinte pra continuar o papo.. eu a agradeci e já pensando que ela não voltaria mais.
No dia seguinte assim que entrei no MSN como era de costume, Celina tinha me deixado uma mensagem “off-line” dizendo que entraria mais tarde por que estava com visitas em casa. Confesso que aquilo havia me deixado muito feliz e realmente eu precisava de ajuda naquela época. Ela entrou como havia dito, aos poucos e bem de mansinho foi ganhando minha confiança. Era gozado aquilo como conseguia que eu desabafasse as coisas difíceis e os segredos mais loucos que aguardava. Dava-me broncas e ao mesmo tempo muitos conselhos. Ficava doida em alguns horários que chegava e principalmente com o que havia feito antes. Contava-me também muitas coisas sobre sua família, sua vida em Atenas, das viagens que fazia (quando estava viajando sempre me mandava fotos, ou então, algum e-mail contando sobre a viagem e coisas do gênero). Parecia tudo perfeito até que certo dia, Celina estava muito estranha, não era a aquela pessoa alegre que sempre foi. Falava como aquela fosse à última vez que estivéssemos conversando. Aquilo me dava muita tristeza, mas mal sabia eu que em breve nos deixaria de vez. Depois de vários elogios feitos a mim se despediu dizendo “Querido obrigado pelo carinho de sempre, mas infelizmente a minha missão por aqui não foi cumprida. Acabe sua faculdade e venha à Grécia como combinamos, você sabe o que deve ser feito e com quem pode contar sempre, por favor, se livre de vez daquela coisa (maneira como ela chamava Calula)”... Também se despediu de todos do hospício... Senti que aquele realmente era o último momento dela conosco. Os dias foram passando. Nesse hospício tinha pessoas muito legais, Mag Esteves, Tiagão Issa (amigo e irmão pra todas as horas, homem que se recuperou de maneira brilhante e um coração que não cabe no peito, com certeza tem algo de muito bom pra esse baiano arretado), Cristine, Julio César, entre muito outros, mas perdia seu brilho sem a Celina...eu me conformava achando que era apenas mais uma viagem dela ou então tinha alguma coisa do trabalho e do nada resolvi deixar as coisas acontecerem.

Um comentário:

  1. Deve ser difícil encontrar alguém tão especial e de repente ter que aceitar sua ausência.Mas, é assim mesmo a vida...e tudo continua...basta acreditar e o sol sempre voltará à brilhar.Muita paz...

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