domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parte 4

Na última semana de Abril de 2007 fui para São Paulo fazer um curso no jornal Estadão. Tudo era bom lá, mas todos esses dias sentia uma coisa estranha, como alguém muito importante na minha vida fosse morrer. Essa tristeza aumentou na sexta-feira quando sai do último dia do curso. Fiquei o feriado de um de maio por lá e cheguei à madrugada do dia 2. Minha sensação estava e nesse dia 2 Celina descansou em paz.
Acordei tarde naquela quinta-feira e nem parecia que tinha dado tudo certo no curso. Coincidentemente não fui direto ao computador... sai de casa pra rever os amigos e contar as novidades, saber das fofocas, etc, etc e tals. Quando cheguei à casa do Cássio me deu um calafrio na espinha, fiquei parado por alguns minutos. Tinha ido chamá-lo para fazer uma caminhada e andar por ai como sempre fazíamos. Cássio tem uma aparência de que me escondia algo, até que toquei no nome da Celina, comecei a dizer que ela fazia falta, que tinha sumido, que se ele tinha notícias...na hora ele ficou branco feito um fantasma. Nessa hora lhe perguntei o que ele me escondia, ele respondeu dizendo que era impressão minha e desconversou com outra coisa. Por volta das 11 da noite, cheguei em casa, e entrei na internet como de costume, pois queria rever os amigos do MSN, ver o orkut, ler um pouco, tudo que sou acostumado a fazer. Sem que percebesse uma lágrima saiu do olho e logo comecei a chorar, pois quando acabo de abrir o MSN, Mag Esteves me deixou o aviso que Celina realmente tinha morrido. Senti uma coisa estranha, chorava demais, tudo que ela me fez passou na cabeça como um filme, as broncas, as alegrias, os elogios. Mais tudo mesmo. Senti-me sozinho no mundo. Em casa estava um inferno e meus avós ficavam colocando pano quente em tudo. Como e agora o que fazer sem ela? Tomei coragem e abri a página do orkut que explicava a morte dela. Celina tinha câncer e escondeu de todos nós. Cássio acabara de entrar e fui logo falar com ele. Não medi as palavras, disse várias coisas muito chatas ele, pois sabia de tudo e não me contou. Aquela noite não acabava nunca... Deitei na cama e não consegui dormir, ainda pelo efeito da tristeza e do choro... Já no dia seguinte.
Aquela sexta doa dia 3 de Maio começou bem cedo... literalmente não dormi nada, levantei cedo e sai pra caminhar sozinho, queria refletir de tudo e o que seria de agora em diante. Meus olhos estavam inchados pelo choro e pela insônia. Cheguei em casa, tomei uma bela ducha gelada para despertar de vez, tomei um bom café da manha e fui para o computador. Quando liguei o MSN, vi uma coisa o tanto estranha, o contato da Celina estava ligado e confesso que pela tristeza e uma mistura de sentimentos nem me interessei... mal sabia eu que ali estava uma pessoa muito especial na minha vida hoje. Várias pessoas do hospício estavam presentes naquele momento e todas com curiosidade em saber quem tava ali. Luana era mais uma daquelas pessoas especiais que tinha lá... veio me pedindo para puxar assunto com o contato, pois eu era o mais “cara de pau” do hospício e sabia conversar como ninguém, tudo bem que esse elogio veio com interesse mas como sempre valendo.
Tudo bem aceitei o desafio e lá fui eu. Comecei a conversar com a pessoa que estava ali. Essa pessoa me desabafou muitas coisas. Claro que isso era normal e eu a deixei bem à vontade... gozado que ambos não se perguntavam os nomes, sentia uma paz tremenda falando com ela e me sentia feliz em tentar ajudar aquela pessoa naquele momento difícil a todos. No fim da conversa, essa pessoa me pediu desculpas pelo desabafo... respondi dizendo que não tinha nada que desculpar e estaria ali quando quisesse e disse meu nome.. Ela respondeu rindo e disse “muito prazer Carolina rsrs”...
Essa era então a moça dos dedos cor-de-rosa e com churumelas vermelho-sangue, a famosa Carolina, a filha que Celina vivia dizendo que se parecia muito comigo.

Um comentário:

  1. Essa era então a moça dos dedos cor-de-rosa e com churumelas vermelho-sangue, a famosa Carolina, a filha que Celina vivia dizendo que se parecia muito comigo.( Lello ) São as surprêsas que fazem
    da caminhada a escalada do sucesso.São os elos que nos tornam melhores e dão sentido vital.Em tudo que se viveu e por tudo que se deixou pra trás.Mesmo sem volta, mas como uma msg de esperança sem igual.Muita luz e paz.Com amor...

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