domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parte 6

Como era gostosa aquela sensação, não sabia se ria ou se chorava de alegria... meus avós dormiam tão gostoso e acordaram mais gostoso ainda com o pulo que dei na cama deles.
Sei lá o que falamos, o que dissemos, quais as desculpas ou satisfações que dizíamos ali... O que importava é que ambos estavam de volta. O “amigo da minha mãe” ou a “filha da Celina” já haviam sido enterrados a muito tempo, acho que desde o primeiro que nos conhecemos, mas a identidade, o carinho, bem todas as coisas boas entre Carolina e eu não. Nada mesmo nem os nossos problemas, nem o acidente, a minha gastrite e a pneumonia e nem alguns outros problemas que ela teve e além do mais tudo voltou mais forte e bem mais feliz. Mais feliz fiquei quando Carolina me disse que viria ao Brasil e finalmente depois tanto tempo e espera iríamos nos ver. Meu fim de ano completo, todos os fantasmas enterrados e pronto para começar o 2009 só meu e ainda uma pessoa especial voltar e poder vê-la... a como eu ri a toa durante dias..alguns dias se passaram e finalmente fui a São Paulo...
Aquele 18 de janeiro foi mágico, simplesmente sem palavras. Domingo que achava o dia mais triste de todos, me trazia a alegria de ver Carolina. Muitas pessoas andavam naquele shopping Ibirapuera fazendo compras, passeando, saindo com a família. Mil coisas passavam na cabeça ali, não agüentava mais aquilo dentro do peito, aquele abraço gostoso dela na loja da C&A tirou-me uma angústia de muito tempo. Como era gozado aquilo que sentia, uma sensação de muita paz, tudo valeu a pena mesmo e tudo que havíamos passado juntos vinha como se fosse um filme.Uma pena que na vida tudo o que desejamos estar perto ou então sentir paz passe ou acabe tão rápido também.Porém irei em busca da minha felicidade custe o que custar.Imaginei o tanto de coisa boa que ela me ensinaria na Europa, o quanto seria divertida as conversas e o principal de que tudo valeria a pena porque o carinho que sentíamos pelo outro é sincero.Aquelas três horas ao lado dela compensaram os quatro meses de inferno astral que vivi. Andamos pra lá e pra cá. Muita coisa ficou sem ser dita, pois tempo não foi o principal inimigo, mas com a certeza de coisa muita coisa boa vem por ai. E realmente o que seria do amarelo se todos gostassem apenas do azul?
Não importa o que aconteça, não importa o que se passa, nada paga o que sinto nesse momento. Aqueles dias na capital foram os melhores de minha vida, me senti mais humano e pronto para ir embora. Tudo deu certo, desde me virar sozinho até o encontro com a Carolina. Quem liga pra o passado, quem liga pra quem errou tanto como eu e paga por isso até hoje, quem liga se duas vezes que Carolina veio ao Brasil tive problemas e não pude vê-la, quem liga para a sociedade hipócrita que vivemos... nós somos mais e muito mais. As pessoas não entendem que apenas nós somos capazes de realizarmos o que queremos. Muito tempo vivi com coisas que me faziam mal, muito mesmo. Hoje me sinto outra pessoa. Celina tinha razão em dizer que estava fechado a tudo e a todas as oportunidades da vida e mais ainda em dizer que meu ciclo aqui já havia se encerrado a muito tempo.
Em breve começo algo que sempre quis. Sempre sonhei em morar na Europa, como aqueles caras dos filmes que pegam suas cosias e saem sem rumo. Mas Atenas será o meu rumo. Nunca me imaginei morando em lugares pops da Europa. O tempo agora é meu maior aliado, ainda mais que minha cidadania está bem dizer pronta. Meu destino final é igual a todos porque nós iremos para o mesmo lugar. Acho que apesar dos pesares sempre fiz por merecer essa chance. Já tive várias e sempre as desperdicei e seria sacanagem passar em branco mais uma vez. Na verdade sou cosmopolita e sempre fui muito sozinho.
O “fodasse” na minha vida tem funcionado muito bem. Na ligo mais para nada. Pouco me importa se sairei daqui com 1, 2, 510, 20 mil. Pouco me importa se em Atenas existam os filmes do Theo Angelopoulos, os jogos do Olimpiakos, as enterradas do Papaloukas no basquete, os shows da Anna Visi... e por ai vai. Pouco me importa no que vou trabalhar, no que vou aprender, se meu inglês não é aquela maravilha.Os 1334 dólares de passagem não pagam tudo o que me espera lá e principalmente o carinho que tenho pelas pessoas que lá me receberão. Esse mesmos 1334 dólares não pagam ver a paz que conversar com a Carolina me traz, não pagam o belo sorriso que tem, não pagam a maneira humana como ela me trata mesmo eu tendo errado demais. Nada paga os sorrisos que arranquei, as risadas, os segredos que confessamos, aquele café da tarde no shopping, aliás, como se passaram rápidas aquelas 3 horas juntos e principalmente o que tudo de bom que há de vir.
Não se julga uma pessoa em 3 horas, tive muito mais do que isso. Não precisa ter feeling para descrever aquela guria. Uma menina doce, cheia de sonhos, amiga, meiga, ranheta às vezes, inteligente, mulher, chorona, dedicada e principalmente um coração que não cabe dentro do peito... qualquer idiota que machucado esse coração, mal sabe que perdeu a mulher que tem tudo aquilo que um cara pode querer..
Daqui apenas levarei os bons momentos que tive... Os tererés com o Cássio, Papu, Lincoln, Dario... os lanches que íamos comer de madrugada... Das vezes que me acordavam com o som alto... prefiro guardar tudo o resto apenas comigo porque se dizer tudo é capaz que chore e o momento agora é de apenas alegria. Todos aqueles que me queiram bem agradeço o carinho de sempre, no mais os que se dizem amigos ou então que não gostem de mim. Serei apenas tudo o que vocês desejarem (whatever you like).

Um comentário:

  1. Quem liga pra o passado, quem liga pra quem errou tanto como eu e paga por isso até hoje?...Mas a identidade, o carinho, bem todas as outras coisas boas...que virão...isso realmente não tem preço!Eh...Lello...é uma questão pessoal e sensacional.Vai em frente e lembra de deixar tudo ok...com a tua consciência, antes de partir.Minha eterna admiração.Sempre.

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