Bate forte o coração, pois já ouço os sons na Ipiranga e São João, quero cruzar com seus olhos no breve talvez ou senão nessa prosa concreta, nos corações perdidos em abafados gemidos, trêmulo como quando chamei de mau gosto o que ví de bom gosto. Mesmo que Narciso acha feio o que não é espelho, como a singularidade de nossas faltas, regadas a muita água, tua beleza passeando pelo Jaçanã com o trem das onze, sempre compassou seu andar na cadência de um bar no Bixiga regado a massa e muita farra.
Na elegância nada discreta que vaga pela Paulista, lembrando o corte de suas roupas, despojadas, soltas, nas conversas de tarde aquele happy hour, lá pelas bandas esquisitas que fazem esquina como suas manias que adoro...sempre guardarei um lugar ti nos banquinhos da Estação da Luz. Quero te carregar em meus braços, sempre me dará fome e saudade onde quer que esteja...coisa de pele, muito mais noite que dia, talvez por ser o avesso do que mereço, desejo com gozo e apreço, passeando pelo Masp visitando a exposição da vez, em todas as telas, esculturas, gravuras, vejo seu sorriso...fazer o que...a bela fumaça que sobe apagando as estrelas lá pela Praça da República onde artistas invadem com obras de arte, o cenário perfeito para traduzir seu rosto, curioso, surpreso, com um pouco de medo, invadindo o desconhecido só pra exercitar conhecimento.
Sigo pela Av. Interlagos em alta velocidade, chego ao Parque do ibirapuera e lá vislumbro seu olhar, bem no meio do concreto pesado da cidade..sua presença..jardim nesse lugar, grama, o verde, gritando vem meu anjo, sente..gosto muito disso...como entrar numa roda de samba que é só seu como sempre foi e será na esquina com a nove de julho, corredor de nuvens escuras esparsas, em altas horas, como sempre mexendo comigo, com graça, na alegria da sombra que esconde seu sorriso que anseio ver, as gargalhadas lá em Moema, no sabadão..regado a Jack Daniels...em cada mesa, vejo teu corpo, cada par colocado, dançando MPB..é lá está mais vez..em cada corda do violão que fala do Chico e termina sempre no palco pedindo uma ultima canção, coisas da noite, quero ser o último romântico nos seus sonhos, cantando sempre um conto...pirraçando no palco que cobre de ilusões esse lindo carrossel da sua querida Mocidade.
Bem a moda Djavan que adora falar do amor sem resposta na maior bossa...nas idas ao shopping Iguatemi, onde quando entro, o frio do ar condicionado ligado ao ultimo dá calafrios, parece que toca..a sensação é a mesma... no metrô congestionado, no estacionamento na Bela Vista, infernal...onde ouço alguém vender melancia e abacaxi.. lembro da paz que teu sorriso sempre traz na Ladeira Porto Geral..que sempre subo, pra ir até o Municipal...é de graça e lá gosto de assistir tudo que seja som de anjo, música clássica, ópera, maestros com grandes arranjos, assim nesses momentos fico mais tempo dentro de mim..a sensação é a mesma... coração pulsando forte no peito, pois quero a sua companhia nas filas para o cinema na sessão das dez, adoro filme francês, filmes estrangeiros que falam de estar junto, mas com muito jeito...é..lá está meu anjo como protagonista, enroscando nas tramas de seu coração ...fica sem chão..quero ão...pareço Caetano no seu ouvido...rimas e trocadilhos no falsete de um romance excitante, como estar em um show no Credicard...muita ansiedade dessa arrumação, pra ficar na fila esperando o carro.meu tênis folgado, camisa pólo branca, largada, amassada, deliciosamente enroscada meu peito sua barriga.
As pernas ficam bambas..uma delícia...das passeadas pelo aeroclube onde fico observando os modelos de aviões como fantoches rolando no ar de barriga para cima, dou risada deitado teolhando fazendo palhaçadas...é..era um modelo seu...guiada pelo brilho de seu riso e o olhar sempre preciso. Esse é o ponto...preciso tanto de você quanto Sampa precisa das poesias concretas para ser. Nessa vez me culpo, sei que a distância dão cores as coisas belas e mesmo assim permaneço. Mas como na Via Dutra ou na Marginal, no meio de um engarrafamento, tomando água comprada do moleque descalço, sempre paro na sua e quero mais é que a fila não ande. Uma alma urbana, acostumada a dura realidade quer sonhar e amar. Um dia quem sabe se receber a única chance que mereço, posso curtir contigo tudo isso numa boa na terra da garoa!
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